As salas (I)
Uma outra sala. Esta que desconheço as dimensões. Ainda o teu rosto, o teu corpo presente. Entre a distância à qual o espaço nos dispôs, uma camada de gelo persistia sem que alguém a tentasse fragmentar. Nem a respiração transpirada e ofegante do meu espírito, inquietado pela magnitude do teu movimento, ousou romper pelas envergonhadas correntes escondidas num silêncio brando e branco.
E quanto desejei suster a minha atormentada cabeça no teu ombro.
“Deixa-me adormecer junto ao teu negro casaco”
O tempo perduraria nesse sono. O momento encalhado num passado sem posse.
“Deixa-me acordar no teu olhar. O que vês? De que tamanho sou?”
O teu cabelo era novo. Não me esqueci de pensar o quanto eu gostei do teu cabelo. Não o disse. Queria tocar-lhe. Não o disse, de novo.
(Numa outra sala, a primeira talvez) aguardava sem intenção a tua chegada. Chegaste. Parti.
Os passos levaram-te, então, até ao declive que se encontrava no fundo do corredor de gente. A porta abriu-se. Partiste. Eu, que ainda olhava o chão na ânsia de assistir ao teu reflexo levemente traçado na transparência do piso, perdi um adeus incertamente dito. Um vento glacial afastara o pensamento das tuas mãos.
Ao teu lado, a sombra da minha saudade caminhava.
Perdera-te novamente.

Li alguns de seus textos e confesso que gostei bastante. Assim como outra pessoa colocou num comentário, consegui respirar o que escreveu.